|
1. Como comenzo a jugar?
Comecei a jogar Bridge na minha casa, com 18 anos. Jogávamos muitos jogos de carta,
até que um dia,
Gabino Cintra
, meu primo, apareceu com um livreto de Bridge.
Começamos - eu, meu irmão Pedro, meu cunhado Emilio (casado com minha irmã Anna) e
Gabino - assim, sem professor.
Já conhecíamos os princípios básicos do jogo das cartas, pois jogávamos muitas vezes
KING (não fazer vazas, copas, Reis e Valetes, Damas, duas últimas, Rei de Copas
e as positivas) em casa. O uso dos trunfos,
finesses etc já eram nossos conhecidos.
Pouco depois, tive umas três ou quatro de aulas de leilão - GOREN básico - com uma
professora (a mãe de Roberto e Sylvia Figueira
de Mello) que era amiga de minha
mãe. No primeiro torneio de principiantes (após cada aula havia um torneio de duplas
entre os alunos) joguei com a saudosa Lizzie Murtinho e fizemos 73% !
Logo comecei a participar de torneios e campeonatos, e fui me encantando cada vez
mais com o jogo. No terceiro torneio que joguei, ganhei com o meu cunhado Emilio.
Foi uma sensação!
A minha primeira
aventura com um sistema mais sofisticado foi com o FIORI ROMANO que aprendi sozinho através de uma apostila (livreto).
Com pouco mais de um ano de Bridge, Adelstano Porto D´Ave - mais conhecido como
Adel - um dos melhores jogadores brasileiros de todos os tempos, me convidou para
jogar com ele.
Daí para frente foram torneios regionais, nacionais e internacionais, com Adel e
outros parceiros que se seguiram - meu irmão Pedro, Sergio Barbosa, Gabino, Gabriel.Entre
os mais jovens: Miguel Villas-Boas,
Marco Toma (Vitamina), Diego Brenner e Paulinho Brum. Atualmente, jogo com Eduardo
Vianna que, depois de muitos anos afastado, voltou
ao Bridge.
Algumas vitórias importantes e, também, algumas derrotas dolorosas.
O saldo tem sido muito bom, e ter conhecido tantos jogadores de todo o mundo, e
ter feito muitos amigos, talvez seja o mais interessante.
2. ¿Cuál o cuales
conceptos sobre el juego te han acompañado desde el principio?
Creio que o principal no Bridge é, principalmente, ser um bom parceiro. Esforço-me
muito para sê-lo. Às vezes sou um pouco exigente, mas procuro corrigir-me quando
exagero. E, também, ser um bom companheiro de equipe.
Sempre que erro, mais tarde, procuro identificar o que ocorreu. Faço-me algumas
perguntas: Por que errei? O que posso fazer para que não aconteça mais? Foi uma
distração, desleixo ou uma situação nova que não conhecia? Enfim, procuro
evitar que venha a fazer o mesmo erro no futuro.
Também, se no ataque ou no leilão (onde a parceria é fundamental) o meu parceiro
erra, procuro saber
se, de alguma forma, compliquei a vida dele ou se deixei de
ajudá-lo. Isto é fundamental para o crescimento da dupla. Os dois parceiros têm
que, sem vaidades, procurar o que causou o erro numa determinada mão. Não é fácil, eu sei, mas é preciso superar as barreiras pessoais para que a dupla evolua. Você
pode
apostar que em mais de 90% dos erros de leilão e ataque os dois jogadores têm
sua parcela de responsabilidade. Quanto aos aspectos técnicos, é fundamental dominar
completamente o sistema de leilão (seu e dos adversários) e conhecer as técnicas de carteio e ataque.
Jogar de forma consistente e sólida é fundamental. Querer ganhar o jogo sozinho
é o caminho mais rápido para a derrota. Fácil de dizer, nem tão fácil de fazer.
Algumas vezes a vontade de arriscar muito é quase irresistível. É preciso controlá-la.
3. Montecarlo 76...
Brasil gana su
primer gran titulo, ¿Con quienes compartiste el equipo y que anécdotas recuerdas
de este campeonato?
A equipe de 76 que ganhou em MOnte Carlo era: eu e Sergio Barbosa; Gabriel Chagas e PP Assumpção; Gabino Cintra e Christiano Fonseca.
Há muitas mãos e histórias lindas deste campeonato, mas um fato curioso é que eu
e PP Assumpção quase não entramos na festa de encerramento.
Estávamos atrasados e ninguém podia entrar depois do Príncipe Rainier e sua mulher
Grace Kelly. Quando chegávamos vimos o Príncipe e a Princesa entrando na nossa frente.
Corremos como loucos e entramos antes.
Imagine perder a festa tendo ganhado as Olimpíadas !
4.
New Orleáns 78...
Ganaste la Olimpiada de Parejas con Gabino Cintra, ¿Como fue el
desarrollo de las sesiones?, ¿Recuerdas que sentían a medida que avanzaban las ruedas
finales?
Esta foi a vitória mais inesperada da minha vida. Curioso: quase todas as grandes
vitórias foram surpreendentes para mim. Uma lição: jogue sem olhar a tabela de classificação.
Não faça contas, simplesmente jogue Bridge e esqueça todo o resto.
Quase não nos classificamos nas eliminatórias. Estávamos em 101o lugar faltando
dois torneios, e apenas 40 duplas se classificavam para as finais. Avançamos para
56o lugar no primeiro e 24o no segundo!
As finais eram disputadas em 4 torneios: no primeiro e segundo ficamos em 11o lugar;
tivemos um espetacular terceiro torneio e passamos para o 2o lugar; e, no último
e decisivo, passamos para o 1o lugar ! Foi inebriante e espetacular! Ninguém esperava
que vencêssemos. Nem nós mesmos!
5. Perth 89... Brasil gana su primer Mundial
¿Con quienes compartiste
el equipo? ¿Como y cuanto tiempo antes se prepararon para este mundial? y ¿Que mas
quieres comentar de Perth?
A equipe era: eu e Gabriel Chagas; Pedro C Branco e Roberto Mello; Carlos Camacho e Ricardo Janz.
Esta foi uma vitória trabalhada. E como! Estudamos muito antes do campeonato. Discutíamos,
toda a equipe, o sistema, 3 ou 4 vezes por semana. Nos preparamos seriamente, e
todos estavam no
auge do Bridge - entre os 40 e 50 anos, quando já se tem grande
experiência e ótimas condições físicas e mentais para jogar.
Foi uma vitória convincente. Ganhamos o Round-Robin. Na semifinal, enfrentamos a
fortíssima equipe polonesa, campeã européia, e ganhamos mais de 40 pontos. Na final,
contra os americanos, mais de 50 pontos.
A nossa vitória na Bermuda Bowl vinha amadurecendo. Em 85 havíamos perdido a semifinal
para os americanos, na última mão, por pura falta de sorte (uma das derrotas mais
dolorosas da minha
vida, pois cometi um erro grave na penúltima bolsa. Até hoje
dói).
Em 89 estávamos mais maduros e muito melhor preparados. Curioso, joguei a minha
primeira Bermuda Bowl em 69, portanto exatos vinte anos antes. Foi uma longa luta,
mas valeu a pena!
Do meu ponto de vista, creio que foi o campeonato que melhor joguei na minha vida.
6. Ginebra 90, Ganaste tu segunda Olimpíada de parejas con Gabriel Chagas...
¿Como se fue desenvolviendo el torneo?, ¿Pasó algo en las ruedas finales que te
hiciera sentir que ibas a ganar tu segunda olimpiada de parejas?
Outra vitória inesperada, embora eu e Gabriel já formássemos uma dupla bastante
sólida. Mas ganhar pela segunda vez a Olimpíada de Duplas?
Nunca imaginei ter tanta
sorte, pois este é um torneio que além de jogar bem é preciso contar com certa "ajuda"
dos adversários. Obrigado aos deuses do Bridge!
Uma história curiosa, é que no último torneio Gabriel estava um pouco, digamos,
excitado com a grande possibilidade de ganhar, e eu, de brincadeira (broma, chiste),
lhe disse: Por que estás assim? Eu como já ganhei uma vez estou achando tudo normal!
Ele simplesmente sorriu.
Nem preciso dizer que eu, também, estava bastante nervoso.
N/S Vulnerable
|
|
Gabriel Chagas |
|
|
|
|
|
|
|
Marcelo Castello Branco
|
|
k x x
|
|

|
x |
|

|
A q x x |
|

|
A j 10 x x |
|
|
Nós vulneráveis, contra não vulnerável, e Gabriel passa. O adversário da minha direita
também passa.
Não queria abrir a mão, pois não sabia o que dizer sobre a provável resposta de
1 . Após hesitar um pouco, acabei me sentindo
obrigado a abrir. Afinal tinha 14 pontos, mas algo me dizia que deveria passar.
E o leilão seguiu: 1
a minha esquerda e, desastre, 2
de Gabriel. Fui obrigado a dizer 2NT e escutei 3NT de Gabriel - contrato final.
|
Remate
|
|
Oeste |
Norte |
Este |
Sur |
|
 |
 |
|
 |
 |
 |
|
 |
 |
|
|
 |
|
|
|
Saída de pequena
e vem o morto:
N/S Vulnerable
|
|
Gabriel Chagas
|
|
|
|
|
|
|
|
Marcelo Castello Branco
|
|
k x x
|
|

|
x |
|

|
A q x x |
|

|
A j 10 x x |
|
|
Pensei: está louco! Por que não abriu de 2 ? Por
que 3NT com 8 pontos?
Restava-me cartear: ganhei a primeira vaza com o J
do morto e joguei o 9 , e, desgraça, o jogador
a direita jogou a Q ....
claramente com KQ.
Ganhei de A , e joguei
para o 8
da mesa, ganho com o K
à minha direita.
Neste momento o adversário que fez o K
começa a pensar e, depois de algum tempo, joga o J
(tentava com J9xx que seu parceiro tivesse AKxx ou AQxx).
Jogo a Q
e o K , à minha esquerda, ganha a vaza.
Volta de
para o 10
do morto. Seguem-se ou
,o A ,
finesse de
, e encerramento em
...
3NT feito com uma overtrick, pois o jogador à minha esquerda tinha:
N/S Vulnerable
|
|
Gabriel Chagas
|
|
j x
|
|

|
a q j x x x |
|

|
10 x |
|
|
9 8 x |
|
|
|
|
a q x x x
|
|

|
k x x |
|

|
k x x
|
|

|
x x |
|
|
|
|
|
Marcelo Castello Branco
|
|
k x x
|
|

|
x |
|

|
A q x x |
|

|
A j 10 x x |
|
|
Top absoluto!
Este é o tipo de “ajuda” que necessitas para ganhar uma Olimpíada de Duplas.
7. ¿Cuál es la anécdota mas viva que tengas en tu memoria de todos los Campeonatos
y Torneos que hayas jugado alguna vez?
Uma das histórias mais curiosas que conheço ocorreu num National nos Estados Unidos.
Jogo de Damas, última rodada de um match, com cortinas, e com grande rivalidade
entre as equipes.
Sentam-se as senhoras para jogar e na primeira bolsa ocorre um
leilão estranhíssimo com a dupla de Norte-Sul. Carteiam um contrato absurdo. Nenhuma
das jogadoras fala uma palavra!
Na segunda bolsa o mesmo ocorre com a dupla de Este
– Oeste. Silêncio absoluto!
Na terceira bolsa, torna a ocorrer um desastre com Norte
– Sul. Silêncio total!
Na quarta, outra vez: desastre para Este – Oeste e um ataque
absurdo por Norte - Sul. Então, as quatro senhoras não mais se controlam, e abaixam
as cabeças para tomar satisfação com as parceiras do outro lado da cortina.
Apenas
para verificar que estavam jogando com as parceiras erradas! Haviam sentado com
suas adversárias como parceiras...
8. Espacio para agregar todo lo que quieras.
Quero agradecer a Fernando Lema pela oportunidade de dizer algumas de minhas idéias
sobre Bridge e de contar algumas das minhas histórias.
Espero que consigamos manter
o Bridge sempre
vivo na América do Sul.
Muito obrigado! |